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O Espelho

  • 25 de nov. de 2022
  • 1 min de leitura

Devorei a parte de você que era eu


Como o Ouroboros ao devorar a própria cauda

Uma verdadeira auto absorção narcisista na qual me sufoco com os resquícios de uma paixão mortal

Você foi a desesperada reflexão de uma parte de mim que lutava incessantemente por amor

Finalmente eu enxerguei, nos seus olhos, tudo aquilo que eu me recusava a ver no espelho

E me apaixonei por todo aquele vidro quebrado


Dos pedaços, reconstruí o meu templo


E as rachaduras nas paredes não passam de lembranças dolorosas do quão forte é essa estrutura

Das ruínas, reconstruí pilares esquecidos, deixados de lado para comportar as exigências alheias

Das cinzas, desenterrei os mais belos tesouros, intocados pelos olhos daqueles que se recusam a merecê-los

Juntos, os quadrantes exaltam o centro, refletindo a mais radiante luz


Finalmente, consigo enxergar.

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